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quarta-feira, 24 de agosto de 2016

O tempo voa

O tempo passa quase sem darmos por ela. Ainda no outro dia comentava com o marido que, quando nos apercebêssemos, a S. já nos estava a pedir para sair à noite.

Há 25 meses atrás, era um nico de gente enfiada numa incubadora. Pesava na ronda dos 700g, media pouco mais de 30cm, tinha mil e um fios colados ao corpo, tubos para respirar, cateteres enfiados...

Agora:
  • Pesa mais de 10kg (pouco, mas anda à volta disso). É miudinha para a idade, mas o pediatra acha que ela está ótima, e nós também.
  • Mede um pouco mais de 80cm. Novamente: miudinha mas linda! :)
  • Tem 12 dentitos. Custaram a aparecer, vieram por ordem pouco usual, mas aí estão! 
  • Já começa a ter a mania que corre e gosta de andar depressa atrás ou a fugir das pessoas ("a mamã vem atás de nós") mas continua bastante cautelosa. Não é exploradora embora seja curiosa. Pergunta, pede para mostrar, mas em geral não mexe nas coisas à toa.
  • É brincalhona, dá respostas erradas de propósito e sorri, com um olhar malandro.
  • Fala imenso. Imenso. Tem um vocabulário e uma dicção acima da média para a idade. Memoriza tudo o que se lhe diz e replica passados dias, sem estarmos minimamente a contar, mas perfeitamente enquadrado. Conjuga bastante bem os verbos. Já fala muita coisa na primeira pessoa, já nos trata muitas vezes por "tu" (e não papá e mamã).
  • Já faz birras. Ainda não daquelas terríveis, mas lá hão-de chegar. E tem a mania que já escolhe a roupa, que não quer esta camisola ou aquele vestido, e que tem de calçar os sapatinhos e não as sapatilhas! 
  • Já não encaixa no meu peito, como nas primeiras vezes que lhe peguei. As pernas já ficam dependuradas, já é pesada para se andar com ela muito tempo de um lado para o outro.
  • É carinhosa, meiga, linda e esperta (e não sou só eu que digo, não vá acharem que estou a ser tendenciosa)!
Houve alturas, quando ela estava internada, que parecia que nunca faria uma vida normal com ela. Mas agora, o tempo voa e sei que vou ter muitas saudades desta fase tão linda da vida dela (e da minha)!

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Noite após noite

Noite após noite, acorda a chorar, a chamar pela mamã, em tom quase desesperado.
Tento acalmá-la apenas com a minha voz e o toque da minha mão. Às vezes funciona.
Noutras, uma grande parte, levanta-se, pede colo (que eu não consigo negar).
Pego nela, aconchega-se a mim. Por vezes, adormece de imediato. Outras, ainda se revira e resmunga durante uns tempos.
Tem noites que lá passo 5-10 minutitos, outras 1 hora ou mais.
O meu sono, o meu descanso, esse, fica sempre estragado.
Noite após noite.
E eu estou a ficar esgotada e não sei o que fazer...

terça-feira, 1 de março de 2016

Da amamentação

No blogue da Joana "corre um debate" sobre a amamentação.
Um daqueles temas quentes da maternidade, ao qual se juntam a alimentação pós aleitamento exclusivo, a cinta pós parto, parto natural vs cesariana,...

Não sou radical nem extremista em nenhum dos temas. A vida ensinou-me que não vale a pena, que é ela que trilha alguns caminhos por nós.

Não é novidade que a S. nasceu super prematura.
Passaram mais de 3 meses desde o seu nascimento até que a sua alimentação deixasse de ser feita por sonda. Estando ela internada seria impossível amamentação em exclusivo. Além disso, ao fim daquele tempo, já a preocupação, o stress e o cansaço tinham praticamente esgotado a minha produção de leite.
Consegui tirar leite durante uns tempos e foi com ele que ela foi alimentada nos primeiros tempos, mas a quantidade foi diminuindo cada vez mais e chegou a um ponto em que estava mais de 20 minutos com a máquina colada às mamas para tirar 10ml...
A dado ponto desisti.
Na verdade, acho que desisti ainda antes disso, quando optei por não me levantar a meio da noite para tirar leite / estimular a produção. O meu estado de espírito não era compatível com noites interrompidas. Dormir bem era a única coisa que me mantinha minimamente sã.

Se gostava de ter amamentado? Sim, gostava. Acho um momento bonito de partilha entre mãe e filh@.
Mas não tenho arrependimentos de não ter feito mais esforço. E nunca ninguém teve a coragem de me apontar o dedo.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Sabes que és mãe quando...

...dás por ti a cantarolar mentalmente as músicas do BabyTV!

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Reflexão sobre a maternidade



Ontem a caminho do trabalho vinha a refletir sobre se sou uma mãe diferente daquela que imaginei que ia ser.
Coincidentemente, na página Vamos com calma no facebook, cruzei com a imagem acima (que "roubei") e com um post (muito bem escrito) que aborda o tema. 

Sou honesta se disser que antes de ser mãe, ou pelo menos de engravidar, não me debruçava muito sobre o assunto, nem era de fazer grandes comentários às mães e/ou grávidas.
Como toda a gente, devo ter tecido opiniões que depois "engoli", mas não retenho que tenha sido muito contundente sobre o assunto.
Ainda assim, questiono-me, agora, se tinha ideias que não estou a colocar em prática, se a realidade se mostrou bem diferente do que alguma vez pensei.

O facto de a minha filha ter nascido (super) prematura condicionou (e condiciona, ainda, certamente) muitos dos meus comportamentos.
Tornei-me talvez mais protectora, mais agarrada a ela do que pensei que viria a ser.
Aquelas coisas que dizia (acho eu) de "às vezes tem de se deixar chorar" e coisas que tais, é algo que nunca faço. Se ela chora, eu estou logo lá e pego nela, e abraço-a e dou-lhe mimos.
Achava que a minha irmã era super protectora com o seu primeiro filho, quase não saindo de casa quando ela era pequenino, e tendo as cortinas fechadas por causa da luz e do sol (e já não me lembro mais o quê). E achava que era importante as crianças saírem e estarem com outras pessoas, e serem capazes de dormir em qualquer lado, inclusive com barulho e luz.
Mas dou por mim a só tirar a minha pequerrucha de casa em situações de necessidade, ou para passeios, em dias de sol, ali pelas redondezas da casa. Não vou com ela para shopings, não vou simplesmente dar um passeio de carro algures, não saio com ela para ir jantar com uns amigos ou visitar algo.
Não gosto de lhe trocar as rotinas de refeição e sono, não gosto de a expor a muita gente e locais barulhentos. Habituei-a a estar no seu sossego e por isso só muito dificilmente adormece sem ser em sítios calmos e a meia luz.

Outra coisa que sempre defendi foi que se decidimos ter filhos, não podemos estar a fazer contas com a ajuda dos avós. Temos de ser capazes de gerir as nossas vidas e pronto. Recorrer aos avós deve ficar para situações pontuais.
Hoje em dia, recorro muitas vezes aos meus pais (e também aos meus sogros) para ficar com ela, para poder ter momentos a dois, para arejar a cabeça, para poder sair de casa.
Continuo a achar que não devemos criar-lhes (aos avós) compromissos no seu dia a dia (tipo serem sempre eles a ir buscá-los à escola/creche, ou a ficarem com eles durante o dia), mas praticamente todas as semanas peço aos meus pais para ficarem uma noite com a S. para poder ir jantar fora e desligar um pouco.

No que à educação dela diz respeito, ainda será cedo para me avaliar. Ainda é muito pequena...
É certo que me socorro da televisão e do telemóvel mais vezes do que gostaria e do que seria desejável, mas fora isso, penso que não tenho fugido muito daquilo que sempre achei.

Continuo a achar que poderia ser muito melhor mãe do que sou. A achar que deixo muitas vezes a preguiça vencer sobre aquilo que acharia mais correto fazer. Tento melhorar a cada dia, nomeadamente no que à confeção das refeições diz respeito, mas estou ainda muito aquém de outras mães dedicadas deste mundo online.

E tenho de a tirar mais vezes de casa... mas vou esperar pelo bom tempo! :D



sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Feliz



Faz hoje 1 ano que a minha filhota teve alta, após quase 4 meses na UCI de Neonatologia do HSJ.
Faz hoje 1 ano que a levamos para casa, para o nosso cantinho.
Faz hoje 1 ano que deixei de ter de fazer quilómetros para a ver, para estar com ela, para a ter nos meus braços.
Faz hoje 1 ano que a vejo logo que acorda, que lhe dou o leite da manhã, que a beijo e abraço, sem ter de vestir bata e desinfectar as mãos e sem restrições de horários.
Faz hoje 1 ano que comecei a viver em pleno a maternidade !
E que bom que foi este ano! 

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Há manhãs assim

Hoje a cachopa acordou cedo demais. Ainda nem 6h da manhã eram e ela já estava a dar sinais. Tentei que adormecesse novamente na sua camita, mas após uns 20 minutos a rabear, desisti, peguei nela e levei-a para a minha cama (conveniência minha, claro, que assim podia estar deitada um pouco mais).
Antes das 7h da manhã adormeceu novamente... e depois não queria acordar. Já passava das 8.30 quando ganhei coragem para lhe ir mexendo um pouquito para a despertar (estava com um ar tão tranquilo que não fui capaz de lhe perturbar o sono mais cedo).

Conclusão: cheguei tarde ao trabalho!

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Pensamentos vários...

... Hoje não me pesei. A semana foi fraca em termos de controlo alimentar e por isso preferi nem ver o resultado. Sei que não é uma boa estratégia mas que fazer?
Ando com pouca vontade, pouco determinada. Uns dias faço as coisas muito direitinhas e logo de seguida, tenho uns dias a estragar tudo. Acho que a minha cabeça não anda nas suas melhores fases.
Sei que depende apenas de mim contornar esta situação mas não me sinto preparada / capaz de o fazer.

... Tenho adorado os momentos que passo com a minha pequenina. Reage cada vez mais, está cada vez mais resmungona (parece nunca querer estar no sítio onde está) mas cada vez mais gira.
Adoro o sorriso que me dá quando a vou buscar de manhã à sua camita, adoro quando se encosta a mim cheia de sono, adoro vê-la a meter pequeninos bocados de pão à boca...

... Continuo a sentir-me um bocado incapaz como mãe. Sei que há imensas que coisas que deveria fazer de outra forma, em especial a parte da alimentação, mas por esta ou aquela razão, vou-me mantendo com as mesmas rotinas...
Tenho de rapidamente, começar a introduzir outros alimentos, outras texturas... sob pena de ser demasiado tarde e tornar este processo muito mais difícil!
Tenho de começar a habituá-la a estar sozinha (algo que ela nunca gostou, sempre exigiu muita companhia), começar a saber dizer não (ainda que nesta fase ela não perceba verbalmente, temos de passar a mensagem do que pode ou não fazer)...

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Um pouco melhor

Ter escrito o post anterior parece ter-me dado alguma paz de espírito. Verbalizar, registar aquilo que há muito me ia (vai) na alma, conseguiu de alguma forma reduzir aquele sentimento de incompetência.
De cada vez que estou com a minha bebé, tento ser um pouco melhor. E vê-la sorrir para mim, resmungar quando sai dos meus braços para ir para outros é (tem de ser) o suficiente para perceber que sou importante para ela e que ela gosta muito de mim.

Fecho esta semana um pouco mais "resolvida" comigo mesma.
Até porque o peso, esse malandro, também decidiu cooperar, depois de uns dias de alimentação regulada, sem desvios de registo.
Hoje de manhã, estava com 66,9kg.
Basta continuar no caminho certo - da alimentação e da maternidade - e com o tempo lidarei cada vez melhor com quem sou! :)

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Da maternidade...

Todos os dias luto contra mim mesma quando me assola o pensamento de que não sou (nem serei) uma boa mãe para a minha pequenina.
Todos os dias sinto que não serei capaz de ser aquilo que ela precisaria que eu fosse.
Sinto que não tenho o perfil que uma boa mãe deve ter.

A cada momento que me dá a preguiça de fazer algo mais adequado para a alimentação dela, a cada momento que não sei mais o que fazer para a entreter, cada momento que olho para o relógio para ver se não são horas de a pôr a dormir... A cada momento destes, sinto que não sou boa mãe.
Aterroriza-me pensar que não sou (nem serei) capaz de a fazer feliz, de passar tempo com ela em pleno (sem estar a maquinar outras coisas na minha cabeça), de brincar com ela...
Aterroriza-me pensar que não serei capaz de criar com ela os laços que gostaria, que poderei não ver um brilho nos olhos dela de cada vez que me vê...

Não sei como contorno isto... mas sinto que não sou boa mãe...