A Maria do Céu foi uma menina traquinas, muito inteligente a quem os pais não permitiram fazer mais que a 4ª classe, apesar da insistência da professora primária e apoio da família rica da terra.
A Maria do Céu era uma mulher tão despachada e trabalhadora, que os patrões acharam que uma máquina não conseguiria fazer o trabalho tão rápido como ela.
A Maria do Céu "só" casou aos 24 anos mas foi feliz mais de 60 anos com o seu Albino.
A Maria do Céu foi uma mulher dedicada ao seu marido e à sua família. Sem nunca contestar a autoridade do homem da casa, levou-o a permitir que os seus 6 filhos estudassem até quando o entendessem (numa época e zona do país onde o habitual era as crianças fazerem a 4ª classe e irem trabalhar).
A Maria do Céu era uma mulher paciente e educada mas de resposta sempre pronta.
A Maria do Céu adorava os seus netos e chamava-me, em pequenina, "o meu pintainho". Dizia que os netos eram todos bonitos mas que eu era especial! :)
A Maria do Céu partiu este ano para um descanso merecido na companhia de Deus e do seu Albino!
A Maria do Céu era a minha avó materna e foi das mulheres (pessoas) mais extraordinárias que conheci. Se um dia conseguir ser metade da mulher que ela foi, serei uma mulher feliz e realizada!
6 comentários:
Já me fizeste chorar...
Temos muita, muita sorte por termos partilhado a vida, o amor, o carinho, o exemplo da Avó Céu e do Avô Albino...
Beijos de uma mana que tem muitas saudades...
Lamento muito, é muito difícil perder alguém assim tão especial.
Olá, Beloquinhas, "pintainho" lindo e muito terno.
Fizeste , em duas penadas, um retrato fiel da nossa Maria do Céu. Obrigada pelo amor que demonstras por esta MULHER que Deus nos concedeu como avó e mãe.
Estou muito orgulhosa de ti. Amo-te .
Obrigada, Raquelita, pelo que sentes e dizes. Amo-te
Aí as Avós... as Avós. Que saudades das minhas :(
Numa ocasião, muito franca, também escutei a minha "Maria do Céu" dizer que gostava de todos os netos por igual, mas que eu era "especial".
Será algum truque de avós?
Não creio. Essa geração era franca, aberta, de resposta pronta que te desarmava pela simplicidade. Um tipo de raciocínio raro de encontrar hoje em dia, pois a sociedade tornou-se muito cínica. E cinismo não era coisa de muita utilidade na geração das "Marias do Céu" :)
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