sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Dia Mundial da Prematuridade



Ontem foi o Dia Mundial da Prematuridade.
Nunca me tinha apercebido dele até ao nascimento da minha pequenina. Por isso percebo que passe ao lado da maioria das pessoas, ainda que quase todas conheçam alguém que nasceu ou que teve um bebé antes do tempo.

A verdade é que a prematuridade (como tantas outras coisas, sejamos francos) só afeta verdadeiramente quem a vive.
Mesmo quem tenha tido familiares, amigos, colegas, conhecidos que passaram por isso, não tem a real noção do que é ter um filho prematuro. 
A minha irmã teve dois prematuros: um de 35 semanas e outro de 26. Ambos nasceram antes da S. 
Tive por isso possibilidade de saber o que era isso de ter um filho antes do tempo, demasiado pequeno para estar já cá fora. Mas só o soube a sério quando a S. nasceu. Até ali, achava o que a maioria acha: que é uma questão de paciência e esperar que eles cresçam.
Não é. É muito, muito mais que isso. É sofrer por sairmos do hospital sem eles, é temer pela sua vida, é o desespero de não poder fazer nada diretamente para os ajudar...

Lembro-me de, ao fim de umas 2 semanas do internamento, num dia que deve ter sido especialmente desgastante, enviar uma mensagem à minha irmã dizendo: "Só agora percebo o que passaste. Tu és uma heroína!"

A S. passou, depois desta mensagem, ainda mais umas 14 semanas na UCI de Neonatologia do HSJ. Foram 115 longos dias de internamento. Não vou mentir! Não foram 115 dias de incertezas, nem 115 dias maus. Alguns dias foram bons! E a reta final já tem pouco de incertezas.
Mas foi uma época muito dura. 
Suficientemente dura para nos deixar sem vontade de tentar um segundo filho.



3 comentários:

A Pimenta* disse...

Compreendo as tuas palavras, quando dizes que só se passando por essa situação, é que se sabe o quanto desgastante é. Nem imagino a ansiedade que se vive dia após dia, no hospital. Felizmente e pelos testemunhos que vou lendo, as equipas nos hospitais são muito boas nesta área.
O pior já passou, e sim, de facto, é o que dizes: a tua irmã é uma heroína e tu também és.

um grande beijinho

Arya disse...

A minha filha também nasceu prematura, de 34 semanas, e o que mais me irritava era quando toda a gente, talvez com boa intenção, dizia "ela cresce cá fora".
As pessoas nao entendem que o "crescer" é o menor dos problemas num prematuro. Que o tamanho era o mais irrelevante. O que realmente importava era a maturação dos orgãos, a habituação do organismo à alimentação, etc, etc, etc.
Como se costuma dizer "só o vivido é compreendido".
Muitas felicidades! :)

AMOR XXS disse...

Podemos ficar sensibilizadas com a dor de terceiros, mas só quem passa pelas coisas entende a amplitude das dificuldades, da dor ...